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Uma flor de cada vez

Um, dois, três, uma flor de cada vez. Quatro, cinco, seis, era uma história de reis e rainhas.

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28
Out18

Bexiga hiperativa. Costuma urinar com muita frequência?

Eli

Sente que a sua bexiga controla a sua vida? Entrar num espaço novo e não saber onde fica a casa de banho aumenta os seus níveis de stress? Andar de autocarro ou metro são alternativas de transportes que a deixam com suores frios?

 

Pois então, eu digo-lhe que pode ter uma bexiga hiperativa. São diversas as causas desta hiperatividade, mas antes de pensarmos em causas neurológicas - claro que em todas as situações uma avaliação médica é necessária e indispensável! - vamos falar da hiperatividade vesical de origem comportamental.

 

anatomia_da_bexiga_animado.jpg

 

Imagem: thecomicalanatomist.com

 

Este assunto já me acompanha pessoalmente há cerca de 13 anos, por isso vou começar por contar a minha história. Era eu uma jovem que tinha acabado de entrar na escola secundária e dava por mim a ir à casa de banho em todos os intervalos entre as aulas, ou seja a cada 60 ou 90 minutos. Claro que nesta altura tinha este comportamento tão integrado na minha cabeça que nunca pensei muito sobre isso, para mim isto era o meu "normal". Foi então que com 18 anos entrei na universidade para começar os meus estudos em Fisioterapia e dei por mim a não conseguir aguentar este ritmo de ir à casa de banho de hora a hora, aliás, nessa altura, o stress e os hábitos alimentares desregrados (noites académicas com álcool, jantares de massa com cenas e açúcar em demasia porque o Chocapic naquela altura era o meu pequeno-almoço, almoço e jantar preferidos... quem nunca?? ).

 

Todos estes hábitos fizeram com que a minha situação piorasse, sair à noite era um verdadeiro pesadelo, precisava de ir à casa de banho a cada 40 minutos, e nem sempre era fácil encontrar uma, isto limitou tanto a minha vida ao ponto de nem conseguir aguentar um concerto inteiro na semana académica sem ter que ir à casa de banho pelo menos 2 vezes. Foi nessa altura que disse basta! Tinha de fazer alguma coisa para me ajudar a mim própria

 

Fui a uma ginecologista que me disse com todas as letras “Você tem uma bexiga hiperativa”, e passou-me uma caixa de medicamentos, não me lembro do nome infelizmente, mas sei que eram alfa-bloqueadores. Na altura senti-me melhor, mas a verdade é que nunca alterei os meus hábitos, e mesmo estando melhor dos meus sintomas, a necessidade de ir à casa de banho “só para prevenir” permanecia. Escusado será dizer que a caixa acabou, não comprei mais e voltei rapidamente a só aguentar 40 minutos entre cada ida à casa de banho. Estava nessa altura no final do meu 2º ano e já tinha ouvido falar muito vagamente na reeducação do pavimento pélvico. Muito inocentemente pensei que esta área de intervenção era só para atuar em situações de incontinência urinária após o parto - o quanto estava enganada, havia muito mais para descobrir! .

 

Fui à biblioteca da universidade e peguei em todos os livros dessa área que encontrei (infelizmente eram pouquíssimos!). No primeiro que li havia um capítulo que falava (um capítulo minúsculo diga-se de passagem!) sobre a bexiga hiperativa e sobre o treino comportamental para aumentar o tempo entre micções. Foi depois de ler essa pequena informação que se fez luz na minha cabeça! Comecei a ler e a procurar tudo que conseguia sobre essa área, e claro, a seguir todos os conselhos que lia. A consequência indireta desta "busca" por respostas foi o ficar cada vez mais apaixonada por esta área de intervenção e essa paixão ter durado até aos dias de hoje!

 

Os meus sintomas melhoraram bastante, no final desse ano já ficava 1 hora e meia sem ir à casa de banho. Quando cheguei ao terceiro e quarto anos já não sentia a minha vida condicionada por esta condição. Sentia-me bem e em paz com a minha bexiga! Afinal os meus sintomas eram todos de origem comportamental e eu nem sabia!

  

Admito que hoje, com 27 anos, entrar num autocarro e num metro ainda me causa um ligeiro friozinho na barriga, mas depois de tudo que estudei e aprendi, sei hoje que existem técnicas que ajudam a diminuir a vontade de urinar e isso tem-me deixado descansada e com a certeza que não vou ter um "acidente" e fazer xixi em público.

 

 

Partilho hoje com vocês algumas dessas dicas :

 

 

Reeducação pélvica - Comece os seus exercícios do pavimento pélvico

 

Marque uma sessão de avaliação com o seu médico ou fisioterapeuta para saber como está o seu pavimento pélvico. Estará hipertónico devido ao esforço constante que tem de fazer para controlar a vontade de urinar? Estará hipotónico, ou seja, dá por si a ter que cruzar as pernas para evitar ter uma perda de urina, provavelmente, até já tem algumas fugas? Só um profissional de saúde habilitado lhe poderá dizer exatamente o estado do seu pavimento pélvico. E sim, esta avaliação pode implicar uma palpação digital vaginal ou anal, no caso de ser do sexo masculino, mas nem sempre é obrigatório.

 

Músculos do pavimento pélvico fortes e funcionais - atenção! nem sempre o tratamento mais adequado será um aumento de força, mas isso só um profissional habilitado lhe poderá dizer - permitem também realizar uma boa contração muscular quando sente a primeira vontade de ir à casa de banho, contração essa que por sua vez inibe a bexiga, permitindo-lhe assim aguentar mais tempo até voltar a sentir vontade.

  

 

Treino vesical - Aumente o tempo entre cada micção

 

Pode começar por fazer este treino em dias que esteja por casa ou quando sabe que tem uma casa de banho logo ali ao lado. Este treino consiste em controlar os horários em que vai à casa-de-banho e tentar ganhar tempo entre micções. Se costuma ir a cada 45 minutos pode, da próxima vez, tentar aguentar mais 5 minutos. Ou seja, nesse dia pode ir à casa de banho a cada 50 minutos e continuar este comportamento durante alguns dias até se sentir confortável com este tempo. Quando isso acontecer pode passar a ir a cada 55 minutos, e assim sucessivamente. O objetivo seria atingir um total de tempo entre cada micção de 1 hora e 30 minutos a 2 horas e 30 minutos. Se conseguir 3 horas, tudo bem, mas tente não ultrapassar este tempo entre cada micção se isso for desconfortável para si. 

 

O objetivo deste treino é permitir à bexiga um aumento da sua capacidade de armazenamento, diminuindo a sua sensibilidade a volumes maiores de urina.

 

 

Comportamento - Evite ir à casa de banho "para prevenir"

 

Já todos tivemos aqueles momentos em que fomos à casa de banho há cerca de 30 minutos, mas como estamos quase a sair de casa e sabemos que vamos ter uma viagem de 2 horas ou que no metro não há WC - já agora, sou uma grande defensora de que este locais públicos deviam todos ter uma casa de banho! - acabamos por ir à casa de banho só para prevenir, só para o caso de termos vontade mais tarde.

 

Meus queridos leitores, tentem parar de fazer isto. Ou adiem o momento de ir à casa de banho. Se sabem que só saem de casa às 9 horas, evitem ir ao WC às 8h30, às 8h45 e às 8h55. Been there, done that! Este comportamento acaba por diminuir a capacidade de armazenamento da bexiga. Mas, quero deixar-vos mais descansados, se a vontade surgir, o nosso corpo pode aguentar mais um pouquinho se soubermos o que fazer, uma vez que existem estratégias que podem utilizar para adiar a vontade em fases mais avançadas do treino vesical. 

 

 

É claro que em situação de bexiga neurológica a conversa já muda de tom, mas aqui estamos SÓ a falar de bexiga hiperativa de origem comportamental.

 

 

Comportamento - Saiba quais são os "triggers" / gatilhos da sua bexiga

 

Os triggers são situações que desencadeiam a contração da sua bexiga. Podem ser situações específicas ou situações de stress. Algumas das mais conhecidas são:

- Chegar a casa / meter a chave na porta

- Ouvir água a correr

- Tocar em água ou objectos molhados

- Sensação de frio

- Situações de stress

 

Conhecer os seus triggers pode ajudá-lo a evitar estas situações ou a antecipar uma situação de urgência e permitir-lhe utilizar estratégias eficazes de controlo desta urgência. Sei que estão curiosos, por isso falaremos mais sobre estas estratégias específicas noutro post  

 

  

Alimentação - Conheça as substâncias que irritam a sua bexiga

 

Algumas substâncias escondidas na comida e bebidas podem estar a aumentar os seus sintomas. 

Algumas delas podem ser:

 

- Cafeína contida no café e alguns chás

- Chocolate ()

- Bebidas alcoólicas

- Adoçantes artificiais

- Especiarias picantes

- Citrinos (em fruta ou sumos)

- Bebidas gaseificadas

- Vinagre

- Cebolas

 

A melhor maneira de saber se estas substâncias afetam a sua bexiga é deixar algumas de lado durante algumas semanas e ficar atento à sua bexiga.

 

 

Cuide da sua barriga - Reduza os sintomas de obstipação e inchaço abdominal 

 

Admito, de todas as causas de hiperatividade vesical esta é a que mais me fascina e aquela que mais funcionou comigo, visto que tenho muita tendência a sofrer de obstipação e inchaço abdominal. As causas são fáceis de detectar, um ventre inchado vai provocar uma maior pressão na bexiga deixando-a mais ativa. E isto não é tudo, sabe-se hoje, através de estudos recentes que têm surgido na área, que existe uma ligação muito estreita entre os intestinos e a bexiga, esta relação pode apresentar vários nomes nos artigos mais o que mais encontrei foi "cross-talking". Um assunto muito interessante sobre o qual espero aprender e escrever mais!

 

Por isso, estratégias para combater a obstipação e o inchaço ajudam na hiperatividade vesical. Estas passam por mudar a sua alimentação, melhorar os hábitos de vida e definir estratégias de gestão do stress, hábitos como o sono influenciam bastante a saúde intestinal. Em muitos casos, alterar a posição de defecação já é uma grande ajuda para combater a obstipação.

 

 

Medicação 

 

Como aconteceu comigo, por vezes podemos precisar de tomar medicação para aliviar os sintomas de hiperatividade. O que aconselho é consultar o seu médico de família ou um médico especialista na área para despistar toda e qualquer condição que possa estar a acontecer-lhe e que não tenha sido detectada - a hiperatividade pode ser um sintoma de infecção urinária, cistite intersticial, doença neurológica, etc - e quanto mais cedo souber o que se passa consigo, mais cedo pode tratar de si!

 

De uma forma muito resumida, este tipo de medicação pode atuar bloqueando as mensagens que a sua bexiga envia ao seu cérebro, ou vice-versa. Cada caso específico vai necessitar de uma medicação adaptada à situação! Esta medicação pode ser tomada apenas durante a fase de reeducação vesical, mas também há quem necessite dela por períodos mais prolongados.

 

 

Como podem ver, ainda há tanto para saber sobre a bexiga hiperativa e a urgência urinária! Espero que estas dicas possam ser úteis. Se tiverem questões ou quiserem acrescentar informação não hesitem em deixar um comentário aqui no post ou uma mensagem na caixa de mensagens do blog. Podem também contar a vossa história e a da vossa bexiga, eu sou toda ouvidos 

 

Bom domingo 

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